O Legado

 Uma jovem que cresceu em uma cidade litorânea retorna à sua cidade natal após anos de ausência. Ela descobre um antigo diário que pertencia a sua avó, que foi uma das primeiras mulheres a comandar um barco na região. Ela embarca em uma jornada para descobrir mais sobre a vida de sua avó e honrar seu legado.

 

Simone!? - o capitão a gritava de longe. - Acorda logo! Tente ajudar os marinheiros burros que estão do seu lado. Se depender desses imprestáveis, nosso barco afunda com eles sorrindo. 

Ela ouve seu capitão de imediato e dá ordens a deus colegas.

- Tenta puxar aquela corda ali Paul. 

- Je ne vous comprends pas madame ! - o homem falava uma língua diferente da dos tripulantes.

- Oh .. interessante, um francês. Essayez de tenir le bout droit de la corde, sinon le capitaine nous fouettera ! - ao ouvir, o homem abriu um sorriso de orelha a orelha. Era difícil encontrar algum francês, e muito menos ouvir. - Ne soyez pas impressionné par moi, partez bientôt! 

A ordem era clara, vá rápido!

Tudo no barco estava acelerado, o clima estava para chover, e os preparativos tinham que ser feitos antes da tempestade.

Simone olhava todos os trabalhadores para ter certeza que tudo estava sendo feito como o capitão pediu. 

- Olha esse chão molhado aqui marinheiro. Passou aquele produto? - seu olhar cerrado era amedrontador. O homem apenas acenava com a cabeça. - Vou confiar em você, se alguém cair durante a chuva, vou te jogar para os tubarões.

Ordens aqui e acolá, seu capitão aparece para olhar a situação. 

- Tudo certo por aqui Simone? - sei jeito de falar seco soava grosseiro para qualquer pessoa, mas para ela, era mais do que normal, era corriqueiro.

- Certo só a linha do horizonte capitão. Se depender de seus homens morremos no primeiro ataque frente a frente.

- Disso não tenho a menor dúvida. Só preciso chegar inteiro até o cais e procurar pessoas mais capacitadas. - dessa vez ele olhava nos olhos azuis dela. - Não digo muito isso, mas eu gosto de como você trabalha. Mesmo sendo uma francesa, respeito você. 

Simone sorriu de canto para seu capitão. - Quase que pela primeira vez, você da um elogio sem ofensa.

- Que graça teria? - ele gargalhava na frente dela.

Sem esboçar nenhuma reação, ela esperava ele terminar.

- Posso trocar de assunto. - perguntava Simone.

- Se pode trocar de assunto? Toda vez que ouço algo parecido, sei que vai vim algum ruim logo depois. Então diga de uma vez.

- Nada grave eu acho. Tenho só uma dúvida que me carrega durante algum tempo. Eu tinha uma avó que se chamava Monique - ela era navegadora assim como eu... Não como eu, até porque ela era capitã de seu navio, o Kraken! - ao ouvir um pouco ela, seu capitão começou a falar.

- Não me diga que você é neta da Monique!? - Simone ficava surpresa com a fala dele. Parecia conhecer ela.

- Conheceu ela? - sua atenção era total à ele.

- Ah... Não muito devo dizer. Eu era mais novo que ela, mas fiquei um tempo com ela no Kraken.

- Por favor capitão, eu preciso saber! - ela pegava na mão dele. Seu desespero por alguma resposta ultrapassava seus próprios limites.

- Me solte! - de forma truculenta, ele tirava as mãos. - Não devia contar nada, mas talvez uma certa coisa deva saciar seu desejo por respostas. Deixe me ver...

 

33 anos atrás

 

 

- Capitã! Navios foram vistos a 4h daqui. – a mulher de olhos verdes encarou ele por um tempo, sem falar nenhuma palavra. – Capitã? – o marinheiro mudava sua expressão com a inatividade dela.

- Cale a boca marujo! Estou à pensar. – com sua mão no queixo, seu olhar demo cerrado encarava o horizonte. – Posicione apenas dois canhões para noroeste. Todo o resto para o sudoeste.

A ordem parecia estranha para ele, mas mesmo assim, ele a fez.

Homens corriam para todos os lados, e ela ainda olhando para o horizonte. Algo parecia estar à incomodando.

- Bella! – uma voz pesada, e rouca ficava mais alta a cada instante. – Não está me ouvindo filha?

- Estou sim pai. - uma resposta direta.

- Vejo que esta apreensiva. Houve alguma coisa? – ele dava um sorriso para ela.

- Possivelmente uma invasão pirata nessas águas. Só não posso confirmar quem. – ela tirava a mão de seu queixo e direcionava seu corpo para seu pai.

- Isso faz diferença hoje em dia? – perguntava ele.

- Eu poderia dizer que não - pois é a resposta óbvia, mas, ouve relatos de roubos de materiais para a produção de uma nova arma que até então, não temos conhecimento do seu poderio. – Bella se mostrava preocupada com aquilo.

- Não pr-. Antes de seu pai terminar de falar, o Tenente gritava:

- Bomba! – uma bola de fogo vinha em direção ao barco. E sem poder reagir, a esfera flamejante quebrou o barco no meio.

- Tente se segurar pai, para não cair de cabeça! – sua voz estridente alertou seu pai, que estava tonto com a explosão. – Tenho que tentar salvar o máximo da tripulação! – gritava novamente.

- Filha! Eu conheço aquele barco. Eu reconheceria em mil vidas. – seu pai aprontava para trás dela.

Num gesto rápido, ela se virou para trás. – Estamos numa situação difícil agora...

 

Agora

 

- Pronto Simone. – seu capitão terminava e contar a história.

- Vai dizer só isso!? – ela estava indignada, e era de esperar. – Como termina? – seus olhos quase saltavam de seu rosto.

- Não é importante. Veja, estamos quase no cais.

O barco Casco Verde se aproximava de desembarcar completamente.

Uma neblina começava a se espalhar pelo mar. Isso fez com que a tripulação recuasse das bordas. – O que está havendo com seus subordinados? – perguntava Simone

- Você é nova ainda mocinha... Ele está próximo. Qualquer barulho suspeito, estamos mortos! – sua voz ficava mais baixo a cada palavra dita.

- Olha a bomba! – alguém fora do barco gritou.

Os marinheiros olharam para todas as direções assustados com as palavras ditas.

Poucos segundos depois, uma bola de fogo apareceu do nada em direção ao barco. Simone viu aquilo e só conseguiu pensar em uma coisa. – É o mesmo barco!

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